“Sensation is what is painted. What is painted on the canvas is the body, not insofar as it is represented as an object, but insofar as it is experienced as sustaining this sensation.” – Gilles Deleuze, Francis Bacon, The logic of sensation

(…) As telas actuais de Jean Pierre Porcher vivem-se simultaneamente não decididas e paradoxais, tensas e contidas, transcendentes e banalizadas, trazidas de si próprias até à simplicidade relativa de um plano de parede. (…) Vemos aqui que os planos de Jean Pierre Porcher são tudo salvo exageração. A radiação que estes emanam provém de uma contenção e de uma concentração dos efeitos, a partir de passagens sucessivas de estratos de luz e de tempo. (…) Um outro fenómeno se observa na maior parte das suas telas: a leitura global integra a diversidade dos actos deixando um rasto: escovagem, estriagem, acidentes, rasuras, máculas, etc. Encontramo-nos em plena paisagem mental construída através de camadas de pensamento e de acção. O todo levado até ao mais simples, apenas magnificada por uma cor discreta, a de certos metais tais como o zinco, o latão ou o cobre. Uma patine do tempo parece intervir e ocultar por vezes a substância profunda através de um camada plana de superfície, capaz igualmente de aparecer. Esta contenção esconde uma soma energética disponível consoante a atenção prestada, dito de outra maneira o quadro não incomoda. Mas também não se encaixa numa categoria precisa. (…)

Extrato do texto de Alain Gunst – Situar alguns planos – escrito para a exposição “Obras recentes”